O reflexo no espelho sou eu! Não pode escapar do meu olhar, de fato, eu sou seu olhar mais perfeito, sua silhueta mais contundente e voraz.
Tudo que refletido está, nada mais é que a realidade que não consegue ver. Não digo isso para não confiar nos seus sentidos, digo pois, eu, o espelho, faço grande favor a razão, ou melhor, perdão, ao que chama de loucura.
Não é senão por mim que toda realidade é vista, revista e entendida.
Não é o caso de estar invertido, eu sou a realidade, sua percepção é invertida.
No caso da Alegoria da Caverna de Platão a realidade seria nada mais nada menos que a cópia da realidade e sim o reflexo, nada mais que a cópia da cópia, contudo, e se a realidade, nada mais for que a cópia e a cópia for nada mais, nada além que a realidade nua e crua?
Quem terá o direito de dizer que a esquerda é a esquerda e não a direita?
Quem pode dizer que a direita na verdade não é a esquerda. O diferencial é decisivo e não há como se estabelecer o ponto de referência, pois assim fazendo-o, admitimos superioridade, primazia de julgamento.
Então o que me diz, eu, o espelho, sou ou não sou uma grande ferramenta da razão, ou melhor da Loucura que torna o homem, homem, senhor de si e não um mero fantoche do acaso, dos deuses, de Deus ou de algo???
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